Rua do Cimo da Vila

(Soares, 2020)

O “Gato Bravo” era conhecido, na sua época, como um homem muito espertalhão, muito malandro, que mandava “bocas” às raparigas, sempre com segundas intenções. Nunca perdia uma oportunidade para mandar “farpas” a alguém.

No final do ano, decorria, antigamente, um leilão, onde as pessoas podiam comprar de tudo. Neste evento, cada conterrâneo tinha uma área sob a sua tutela. Ora, o “Gato Bravo” era responsável pela rua principal. Sempre que alguém tentava invadir a sua área, para varrer o lixo, o “Gato Bravo” exclamava:

Alto aí, que isso é meu!

Nas ruas da vila, se algo caísse dos carros dos bois, o condutor não podia apanhar rigorosamente nada, exceto peças de vestuário, como casacos. O “Gato Bravo” queria ficar com a rua principal, porque, aqui, havia mais lixo para recolher. Note-se que, durante este evento, pagava-se para recolher o lixo. Caso para dizer em relação ao “Gato Bravo”:

De Bravo, não tens nada!

Já o “Zé Pelado” era servente de pedreiro e costumava, muitas vezes, embebedar-se. Este culpava as pessoas responsáveis pela edificação da vila de Tentúgal, porque, segundo ele, fizeram becos “à barda”. A qualquer beco que chegasse, o “Zé Pelado” metia conversa com alguém, “enfrascando-se”. De tão bêbado que estava, acabava por cair. Ao levantar-se, rasgava, sempre, um pedaço da sua roupa. Por isso, é que se dizia que, na segunda-feira seguinte, ele tinha, pelo menos, três pedaços de roupa a menos.

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