Paço dos Duques do Cadaval

Fonte: Paço dos Duques do Cadaval (2006)

Outras designações: Paço do Infante D. Pedro, Quinta do Paço, Paço dos Condes de Tentúgal

Localização: Situado no fundo do arruamento central e em frente à Vala Real, antecedido por grande pátio.

Estilo Arquitetónico: Propriedade nobre tardo-gótica, de arquitetura civil, agrícola e renascentista, é constituída por corpos salientes, com vãos góticos e altas chaminés. É formada pela casa, eira, celeiro (à direita do acesso principal atual) e capela (à esquerda do acesso principal atual) (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

O Paço dos Duques de Cadaval é de planta longitudinal, composta e irregular, apresentando volumetria de dois pisos, bem como uma fachada principal a Norte (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Os arcos do piso térreo, as arcadas do pátio e a varanda têm colunas de mármore branco providas de capitéis de folhas decoradas com motivos importados da Andaluzia (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Os vãos são em arco quebrado quase equilátero, sendo de referir que as chaminés são destacadas na fachada. Na fachada sul, existe uma varanda alpendrada de cinco colunas com base cinzenta, assim como capitéis de folhagem (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

O portal possui arco quebrado equilátero, composto por três pares de colunas finas com base, mas sem capitéis, nem impostas. Estas colunas são acompanhadas de finas molduras, que se prolongam nos arcos. Em cima, está um pequeno óculo redondo ampliado de molduras (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

No interior da capela, podemos encontrar uma planta retangular, composta por uma nave com duas portas travessas simples e de molduras chanfradas, bem como uma capela-mor, esta última de três faces, com uma fresta alta e estreita em cada uma das duas laterais. As paredes interiores são de grande altura, com empenas muito inclinadas. Esta Capela, de invocação a São Miguel, tinha coro (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

A área interior possui, igualmente, duas outras portas mais pequenas, situadas ao nível do coro-alto e, ainda, duas frestas simples junto ao arco cruzeiro, ogival, arestas chanfradas e em volta dobrada (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Já o celeiro (uma construção de oitenta metros de comprimento por 25 de largura) (Góis, 2006), datado do final do séc. XVI, apresenta uma planta retangular e longa, com portal clássico e interior de três naves, de treze tramos, com colunas dóricas lisas e ligadas por arcos de volta perfeita. A porta de topo Norte é formada por duas colunas sobrepujadas de dois colunelos, permitindo a cobertura do brasão ducal. A janela a Sul, datada do século XVII, é de vão retangular e grades, sendo encimada pela pedra de armas: uma cruz, carregada com cinco escudetes das quinas de Portugal e acompanhada por quatro cruzes florenciadas. Como timbre, tinha um cavalo (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Na Quinta existente na zona, a porta de verga é recortada em arco conupial rebaixado, de arestas chanfrada, sendo de salientar que, a Oeste do celeiro, o arco é quebrado, simples, chanfrado, numa composição datada de 1948 e articulada com as cantarias antigas. Existe, por fim, um nicho pequeno vazio (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

História: O Paço dos Duques de Cadaval inseria-se numa grande quinta com muitas geiras de terra, integrada nos Campos do Mondego. Do lado direito da quinta, existia uma eira (com cem metros de comprimento e sessenta metros de largura), onde, outrora, se granjeava não só o milho, como se procedia à secagem dos dízimos (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

O Paço dos Duques de Cadaval remonta ao século XV. Nesta época, em 15 outubro de 1413, o rei D. João I doa ao Infante D. Pedro, ainda muito jovem, o lugar, paços e reguengo de Tentúgal. Dois anos depois, em 1415, no regresso da tomada de Ceuta, o infante D. Pedro é nomeado Duque de Coimbra (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Em 11 de janeiro de 1417, D. Pedro obtém a jurisdição da vila de Tentúguel. Foi a partir desta altura que esta figura régia manda erguer a capela do seu paço. Em 28 de julho de 1476, o paço, as casas anexas e os celeiros são utilizados como troca, entre o príncipe D. João, futuro D. João II, e D. Álvaro de Portugal, que era, então, D. Rodrigo de Melo, apelidado de 1º Conde de Tentúgal, título atribuído por D. Manuel I, em 1507 (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Durante o século XV, de acordo com vários autores, o acesso principal ao Paço era feito em ligação direta aos campos do Mondego, como é possível verificar através da escadaria e caminho existentes no interior da propriedade, com pedra de armas da Casa de Cadaval (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Através de um alvará de 13 de maio de 1533, consegue-se determinar que D. Álvaro, duque de Bragança, tornou-se proprietário do Paço, seguido, posteriormente, e o seu filho, D. Rodrigo de Melo, ordenaria o início de obras neste espaço (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

No século XVII, assinala-se a construção da janela do celeiro encimada por pedra de armas. Durante este século, concretamente em 1648, o Conde de Tentúgal, D. Nuno Álvares Pereira de Melo, é nomeado 1º Duque de Cadaval, título concedido por D. João IV (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Um século mais tarde, em 1721, o Paço já se encontrava em ruínas. Um marco importante, embora infeliz, na existência deste espaço assinalou-se no ano de 1834, altura em que o paço é incendiado pelos liberais (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

No século XIX, o paço e toda a sua área envolvente sofrem profundas alterações. Um século posterior, especificamente em 1944, a propriedade do Paço de Tentúgal mantém-se na Casa de Cadaval, antigos senhores de Tentúgal.

Em 9 de dezembro de 1997, é feita uma proposta de classificação por parte do Centro de Estudos do Mar e das Navegações Luís de Albuquerque (CEMAR). Um ano mais tarde, em 11 de março de 1998, por iniciativa da Direção Regional de Coimbra, é criada uma proposta de abertura do processo de classificação do Paço. No dia 17 de março desse ano, é escrito um Despacho de abertura do processo de classificação pelo vice-presidente do Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Em outubro de 2000, é realizado o levantamento para elaboração da Carta de Risco do imóvel pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que acabaria por não ser executada (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Em 9 de julho de 2004, a Direção Regional de Coimbra fez uma proposta para classificação do Paço dos Duques de Cadaval como Imóvel de Interesse Público. Quatro anos mais tarde, em 10 de novembro de 2008, é escrita uma nova proposta de classificação pela Direção Regional de Cultura do Centro. Em 7 de janeiro de 2009, é dado o parecer favorável do Conselho Consultivo do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR) (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Atualmente, o edifício do Paço dos Duques de Cadaval está abandonado, servindo de curral para gado ovino e/ou caprino, e é ocupado por uma vinha. Encontra-se escondido dos acessos principais, o que faz com que seja levado ao esquecimento (Jesus, 1999, Município de Montemor-o-Velho & Oliveira, 2006).

Referências Bibliográficas:

Jesus, F. (1999). Paço dos Duques de Cadaval / Paço do Infante D. Pedro / Paço dos Condes de Tentúgal. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5214

Município de Montemor-o-Velho (s/d). Paço dos Condes de Tentúgal / dos Duques do Cadaval. Disponível em: https://www.cm-montemorvelho.pt/index.php/component/k2/item/198-paco-dos-condes-de-tentugal-dos-duques-do-cadaval

Oliveira, C. (2006). Paço do Infante D. Pedro, incluindo a capela e o celeiro. Disponível em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155788/

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