Igreja Matriz

Fonte: Visitar Portugal

Outras designações existentes: Igreja Matriz da Assunção, Igreja de Santa Maria do Mourão e Igreja de Nossa Senhora da Assunção.

Classificação: Imóvel de Interesse Público.

Estilo arquitetónico:

Datada da fase final do Gótico, a construção da Igreja Matriz de Tentúgal foi dedicada a Nossa Senhora da Assunção. Esta igreja apresenta-se muito simples e depurada, mantendo a sua estrutura exterior original. Esta igreja possui uma planta longitudinal constituída por uma nave, coro-alto e capela-mor, sacristia, bem como por uma capela a Nossa Senhora com volumetria saliente relativamente à nave (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, 2001-2016).

Do lado exterior, a fachada da Igreja Matriz de Tentúgal possui um portal em arco quebrado com duas arquivoltas, desprovido de decoração ou capitéis. Acima deste portal com arco, encontra-se um óculo. No lado esquerdo da igreja, foi adossada a torre de planta quadrangular com volumetria decrescente no sentido vertical, rematada por merlões, à qual se acede por um portal de arco quebrado e chanfrado, este último precedido por escadas. A torre apresenta ventanas nas faces. As fachadas laterais são rematadas, superiormente, por cachorrada, sendo que a fachada esquerda apresenta uma pequena porta (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Interiormente, o templo apresenta planta longitudinal de nave única, de formato retangular, dividida por arcos de volta perfeita, que abrem para quatro capelas laterais com retábulos, de cada lado, dedicados a Nossa Senhora da Rosa e Nossa Senhora da Conceição, do lado do Evangelho e às Almas, do lado da Epístola (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

A capela-mor possui um retábulo de pedra policromado edificado em 1545, possivelmente pela escola de João de Ruão. Esta igreja possui, ainda, duas capelas colaterais, nomeadamente a capela da Epístola do Sacramento, quadrada com cúpula de quartelas, e a capela que se encontra do lado oposto, a de Jesus, ambas com paredes revestidas a azulejos de alcachofras. De realçar a existência de um órgão no coro-alto (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Dividido em três registos, o retábulo da Igreja Matriz de Tentúgal possui, ao centro, uma escultura com imagem da Virgem com o Menino, designada, localmente, por Nossa Senhora do Mourão, da autoria de Gil Eanes. A imagem é ladeada por imagens de santos mártires. Esta escultura, que tem 1,76 metros de altura, é considerada uma das esculturas detentoras de uma maior qualidade entre as obras beneficiadas pelo Infante D. Pedro (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

No registo superior, foram esculpidos relevos com cenas da Vida da Virgem, ladeados por anjos músicos. O sacrário, colocado no registo inferior, é ladeado por dois baixos relevos, que representam São Pedro e São Paulo (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Junto à capela-mor da Igreja Matriz de Tentúgal, foram edificadas duas capelas colaterais. Do lado da Epístola, a capela do Sacramento foi mandada edificar, em 1575, pelo Dr. Diogo Nunes. A capela do Evangelho é denominada por capela de Jesus e foi mandada edificar por Cristóvão de Faria Amorim, juntamente com a sua mulher Marias de Barros Galvoa, em meados do século XVI (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Do lado do Evangelho, as quatro capelas da Igreja Matriz de Tentúgal são dedicadas à Senhora da Boa Morte, com um retábulo dedicado a São Miguel e tábuas do século XVII. Para além deste Santo, as quatro capelas mencionadas são, também, dedicadas a Santo António. De salientar que, originalmente, estas quatro capelas, construídas em 1580, eram dedicadas ao Espírito Santo. Já as capelas do lado da Epístola são dedicadas a Nossa Senhora da Rosa, edificada em 1616, e a Nossa Senhora da Conceição, mandada edificar por Jorge Lopes Gavicho, em 1632 (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

História:

Em 1288, o templo já existia, uma vez que, nesta data, por ordem régia de D. Dinis, a igreja tinha sido doada ao Mosteiro de Ceiça, sendo, nessa altura, apelidada de igreja de Santa Maria de Mourão (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Dois séculos mais tarde, a 11 de janeiro de 1417, D. João I doou Tentúgal ao seu filho, o infante D. Pedro, incluindo o padroado da Igreja, ou seja, os dízimos. A Igreja antiga ainda existia como paróquia, realidade que viria a mudar alguns anos depois, quando o infante D. Pedro mandou construir uma nova paróquia, de grandes dimensões.

Desconhece-se se a construção do novo templo ditou a passagem da Igreja à categoria de Priorado. Há notícia de um Prior, falecido antes de 1434, de nome António de Vasconcelos e que foi sepultado no Convento velho de S. Domingos de Coimbra. Assim, salienta-se a existência de três fases, nomeadamente a de Reitor até 1288, seguida da de Vigário, até 1420 e, posteriormente, a de Prior.

Em 1420, o templo registou intervenções na sua estrutura, sob a direção de Estevão Gomes, pedreiro e mestre-de-obras no Mosteiro da Batalha, cujas despesas foram suportadas pelo infante D. Pedro, duque de Coimbra e donatário da vila de Tentúgal. Durante o século XV, decorreu a reconstrução total da Igreja Matriz de Tentúgal, provavelmente sobre um templo pertencente ao século X (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

D. Pedro viu os seus bens e património confiscados, tendo, desta forma, passado o padroado da Igreja para a tutela dos Reis. Mais tarde, através de carta de troca, datada de 28 de julho de 1476, o mesmo património passou para a administração de D. Álvaro, filho do Duque de Bragança.

No dia 2 de dezembro de 1541, o Papa Paulo III concedeu a Rodrigo de Mello (um dos filhos de D. Álvaro), através de uma Bula, duas terças partes dos rendimentos desta Igreja, com o objetivo de ajudar a instituir benefícios simples. Esta situação manteve-se até à extinção dos Padroados, em 1833.

Nos séculos XVI e XVII, a igreja acolheu um conjunto novo de obras, que lhe conferiram a atual estrutura interior. Assim, no final do séc. XVI, foi ampliada a capela-mor, construídas as capelas colaterais e colocados os retábulos de pedra na nave. Em 11 de junho de 1556, assinalou-se a aprovação da instituição da Confraria de Nossa Senhora da Assunção e São Sebastião pelo Bispo conde D. João Galvão. A 1 de janeiro de 1559, é mandada rezar uma missa, todas as segundas-feiras, no altar de S. Sebastião onde estava a relíquia de Nossa Senhora da Assunção. Anos mais tarde, em 1574, a igreja fica sob a égide do padroado real, integrando a Diocese de Coimbra. Em 1575, Diogo Nunes ordena levantar a Capela do Sacramento (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Um século mais tarde, XVII, mais concretamente em 1616, deu-se a construção da Capela da Senhora da Rosa. Ainda nesse século, houve intervenções nas paredes da Igreja Matriz de Tentúgal (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Em 20 de setembro de 1804 (século XIX), por alvará do príncipe regente D. João, deu-se a anexação da Confraria de Nossa Senhora da Assunção e São Sebastião à Confraria do Santíssimo (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016). Esta confraria foi anexada à do Santíssimo.

No século XX, por iniciativa da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), assinala-se o início de um conjunto de obras de requalificação da Igreja Matriz de Tentúgal. Assim, em 1948, ocorre a reconstrução de telhados. Em, 1960, dá-se a substituição do teto da capela-mor, a pavimentação, o arranjo das capelas laterais, bem como a reparação da escada exterior de acesso à torre. Em 1963, é desenvolvida a reparação de rebocos interiores, da teia do coro e do vitral da capela-mor.

O templo registou obras de reparação e foi palco, igualmente, de obras beneficiação, tanto exteriores como interiores, entre os anos de 1995 e 2000 (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Deste modo, em 1995, salientam-se as obras de recuperação de coberturas. Um ano depois, em 1996, destaca-se a reconstrução de rebocos exteriores e a realização de drenagens. Em 1997, realiza-se a consolidação do coro-alto, a reparação e limpeza dos tetos da nave e capela-mor, a que se seguem o restauro e conservação de pinturas em tela e tábua. Em 1998, são feitas obras de beneficiação interior, seguidas, nomeadamente, da reparação do teto da capela-mor e respetiva estrutura de suporte, conservação do zimbório da capela da Epístola, bem como a substituição do fuste das colunas de suporte do coro-alto (Castro, 2016, Município de Montemor-o-Velho, Oliveira, s/d & SIPA, 2001-2016).

Curiosidades:

A Capela-Mor, de Nossa Senhora da Conceição, foi a última a ser entregue à Igreja Católica de Portugal. Nesta capela, existem sepulcros de famílias, nomeadamente o dos Gavichos, nome que significa Gavião pequeno. Existem, ainda, duas capelas laterais, representativas do povo (J. Craveiro, comunicação pessoal, 29 de maio de 2020).

Segundo reza a história, a família Gavicho lutou numa guerra, tendo auxiliado o rei. A maneira como esta família lutava conquistou a atenção do monarca. Como eles eram todos de estatura baixa, o rei disse-lhes, a certa altura:

– Vocês são uns gaviões! Mas, esperem, vocês são pequenos, portanto, são gavichos.

De salientar que os Gavichos foram parentes da Casa Real Portuguesa e herdeiros do Visconde Belmonte.

Antes de morrer, um dos Gavichos disse que só tomavam conta da Capela de Nossa Senhora da Conceição quando ele já estivesse morto. Até lá, que ninguém ousasse tocar na capela.

Nesta Igreja, jazem, atualmente, duas das figuras mais icónicas da história de Tentúgal, nomeadamente Thomé Velho, famoso escultor, e Pedro Nunes, emblemático cosmógrafo e matemático. Thomé velho esculpiu a parte de cima da capela mor. Este escultor foi, também, autor do retábulo da Igreja Matriz, das capelas (capela-mor e capelas laterais) e dos arcos interiores.

Por outro lado, João de Ruão foi o autor da parte de baixo da igreja Matriz. Esta figura era uma pessoa de confiança dos Duques do Cadaval.

A sepultura de Pedro Nunes, junto à capela-mor da Igreja Matriz, não era do agrado dos Duques do Cadaval, uma vez que Pedro Nunes era judeu. A capela dos judeus encontra-se ao lado da capela dos Cristãos. Dada a importância e influência da família dos Duques do Cadaval, o papa Leão XIII concedeu indulgência plenária a quem assistisse às missas na Igreja Matriz.

Grande parte dos registos históricos foram perdidos e queimados, sobretudo a partir de meados do século XIX, justamente na altura em que vigorava o Liberalismo em Portugal e por ação da Maçonaria da altura (J. Craveiro, comunicação pessoal, 29 de maio de 2020).

A Capela dos Judeus é uma sinagoga, com dois anjos que servem apenas de decoração. A porta desta capela é considerada uma obra exemplar do seu tempo, séculos XVII e XVIII, tendo a particularidade de apenas ser aberta para se poderem realizar comunhões. A pedra desta capela, restaurada por Diogo Nunes, mantém a sua traça original.

Naquele tempo, séculos XVII e XVIII, as pessoas tinham o hábito de sepultar, em pedra, os mortos por debaixo das capelas. Na verdade, com a presença de corpos, muitos deles em estado de decomposição, emanavam-se cheiros pestilentos e muito desagradáveis, que podiam conduzir ao aparecimento de doenças mortais. Se não fosse o cheiro das velas a abafar, a presença no interior das igrejas tornar-se-ia insuportável (J. Craveiro, comunicação pessoal, 29 de maio de 2020).

A Igreja Matriz de Tentúgal começa a nascer no início do século XII. A igreja que existia anteriormente era dos séculos VII e VIII.

Sesnando Davides (que casou com a filha de Fernando Magno), para mostrar o seu valor, propôs a Fernando Magno, rei de leão e conde de Castela, a reconquista de Coimbra. Conseguiu, surpreendentemente, unir todas as Casas Cristãs, desde a Galiza até à atual França. Armou toda a gente que conseguisse empunhar uma arma, tendo saído, no final, vitorioso. Assim, recompensou os seus amigos com terrenos para cada um, de modo a que estivessem próximos de D. Sesnando e de Coimbra. Nos dias de hoje, grande parte dos solares, que se veem em Tentúgal, datam da altura da reconquista cristã de Coimbra (J. Craveiro, comunicação pessoal, 29 de maio de 2020).

No interior da Igreja Matriz de Tentúgal, podemos encontrar várias capelas, nomeadamente a Capela dos Nunes, a Capela dos Farias da Póvoa (com a figura de Jesus Cristo), a Capela da Senhora da Conceição, a Capela do Povo, a Capela do Divino Espírito Santo, a Capela de Nossa Senhora das Rosas, a Capela da Senhora dos Passos, a Capela dos Judeus, bem como a Capela-Mor (dedicada a Nossa Senhora do Mourão).

A certa altura, a Maçonaria começa a interferir com a função do Espírito Santo, trazendo prostitutas para a Igreja Matriz. Esta igreja, no século XIV, sofre um sismo, que lhe provoca grandes danos.

O infante D. Pedro, com a atribuição de terras por parte do pai, apaixona-se pela Capela de S. Miguel, presente no interior da Igreja Matriz. Deste modo, mandou recuperar a igreja. Infelizmente, morreu na Batalha da Alfarrobeira, não chegando a ver a obra concluída.

Nesta igreja, a figura de são Miguel é de pequenas dimensões, sendo apenas a única figura masculina entre tantas mulheres. Esta disposição tinha um propósito. O infante D. Pedro era um aficionado por mulheres, especialmente a sua esposa e a sua mãe. Assim, fez uma exaltação à mulher (na zona do retábulo). No retábulo, estão, assim, presentes as imagens de Santa Apolónia, Santa Bárbara, Santa Ana, Nossa Senhora do Pilar (termo original, que deu origem, mais tarde, a Senhora do Mourão), Santa Catarina, Santa luzia e Santa Ágata (J. Craveiro, comunicação pessoal, 29 de maio de 2020).

A porta de entrada da Igreja Matriz é originária do século XII. Sobretudo na capela-mor da igreja, existem sepulturas com escrituras que datam do período gótico.

Um dado curioso nesta igreja é a existência de duas zonas, nomeadamente uma zona sagrada, onde podem entrar os cristãos, assistindo a cerimónias como missas e batizados, e outra, a designada zona não sagrada, na qual todos aqueles que não foram batizados podiam permanecer. Esta ideia de duas zonas partiu do infante D. Pedro, que se inspirou nos templos judaicos, que albergavam, para além do seu local de culto, uma zona destinada a não judaicos. A zona não sagrada da Igreja Matriz possui, assim, uma pia de água benta para batizar as crianças e pessoas de outras idades.

A Capela da Senhora dos Passos data de finais do século XVII e, também, do século XVIII. Quando vinham as pestes que traziam grandes febres, existia um ritual segundo o qual colocava-se uma bacia, com vinho branco, para levar ao doente. Já aos nobres o vinho branco era servido numa salva em prata. Segundo as crenças da altura, este ritual ajudava a curar as pessoas das doenças. Este culto começou nos finais do século XIII e prolongou-se pelo XIV.

Quanto à Capela dos Três Estados (ou Capela do Povo), se olharmos com atenção, conseguimos contemplar a Capela Celestial, com a presença de Deus, da Santíssima Trindade, de S. José, da Nossa Senhora, das Santas Mulheres e dos Santos Homens.

Logo abaixo, podemos encontrar o Reino dos Vivos, com a presença do Papa “dos vivos” (hoje em dia, Papa Francisco), de S. Miguel (imagem do guerreiro defensor do reino de Portugal, datada do século XX), por debaixo do Papa, bem como as almas dos vivos que já se purificaram, que já passaram pela expiação. Reza a lenda que, certo dia, alguns anjos revoltosos, chefiados por Lucifer, manifestaram-se contra Deus. S. Miguel empunhou, então, a espada e proferiu em tom de exaltação:

– Quem é como Deus?

Perante isto, os anjos começaram a questionar-se sobre o verdadeiro poder de Deus, passando a adorá-lo, a partir daí.

Podemos, assim, visualizar, no peito da imagem de S. Miguel, a Cruz de Ordem de Cristo, personificada pela Ordem dos Templários, que, na época, representava um papel muito importante na preservação da unidade cristã em Portugal, face às constantes ameaças muçulmanas. D. Dinis, estratega por natureza, defendeu esta ordem, por ser vital para a manutenção do Cristianismo no nosso país (J. Craveiro, comunicação pessoal, 29 de maio de 2020).

No fundo, o Purgatório (ou a Igreja dos Defuntos), com a presença de bispos, reis, cardeais, papas e outras figuras socialmente e economicamente privilegiadas. Na ótica do Evangelho, a quem mais se deu, mais se exige, o que vai ao encontro da visão do Povo, na altura, segundo a qual os mais privilegiados socialmente têm a obrigação de zelar e de cuidar pelos mais pobres, garantindo que não lhes falta nada para o seu bem-estar.

Na Capela das Senhora da Conceição, existem duas árvores, a da vida, representada por um sobreiro ou castanheiro, bem como a da morte, representada por um cipreste. Acreditava-se, então, que a árvore dos vivos produzia sombra para os vivos se protegerem dos perigos da vida. Já a árvore da morte não produzia sombra, com a seguinte mensagem:

– Nem à morte tu escapas! (…) Quem está morto, não precisa de sombra (…) Cuidado com o fazeis durante a vida.

Na Capela do divino Espírito Santo, podemos encontrar a figura de São Tiago, santo que, segundo o povo, prestava apoio aos peregrinos. A imagem deste santo data do século XIII. Outro santo que podemos encontrar é São Bento, com uma das suas mãos a segurar um cálice envenenado, do qual saem lagartixas. Este cálice tem uma história, segundo a qual dizia-se que São Bento vivia sozinho. Um dia, foi-lhe proposto presidir uma comunidade religiosa de homens.

Na verdade, São Bento não queria ser frade, referindo que ninguém iria gostar dele, por, na ótica deste santo, ser demasiado rígido, severo. Mesmo assim, conseguiram convencê-lo a aceitar o cargo. Lá foi. No entanto, havia pessoas, sob as ordens dele, que não gostavam da forma como lecionava, como dirigia a comunidade, pelo que, um dia, numa missa, prepararam um cálice, que continha vinho misturado com veneno. Isto com o objetivo de lhe tirar a vida.

Porém, na hora de pegar no cálice, “com os olhos da alma”, São Bento viu o veneno, dirigiu-se aos seus súbditos e proferiu:

– Vedes? Eu bem vos disse que não devia vir para aqui. Oh Diabo, agora bebe tu o teu próprio veneno!

Com estas palavras, o cálice rachou, o vinho derramou-se e o veneno transformou-se em lagartixas a sair do cálice.

Já a Capela de Nossa Senhora das Rosas tem uma história lindíssima associada. Reza a história que Maria tinha vários pretendentes. Uma forma de escolher o seu marido seria a realização de uma competição promovida pelo padre na altura, segundo a qual cada pretendente trazia consigo uma vara. A vara da qual brotassem flores seria o vencedor e conquistaria, desta forma, o coração de Maria. Ora, o feliz contemplado foi José.

O Arco de Tito, em Roma, serviu de inspiração ao Infante D. Pedro para mandar construir um arco triunfal em Tentúgal, com o objetivo de adorar, de prestigiar Cristo. De facto, este arco é considerado único na região do Baixo Mondego, por ser altamente ornamentado. Ao longo do tempo, foram feitas reformas na igreja Matriz.

Um dado curioso tem a ver com a disposição das sepulturas no interior da Igreja Matriz, em Tentúgal. Assim, os padres e bispos (figuras que representam Cristo), estão sepultados com uma disposição que lhes permitisse, uma vez levantados, contemplarem os seus fiéis, que, por sua vez, estavam sepultados e voltados para Oriente, esperando pela ressurreição de Jesus Cristo. Por outras palavras, os membros do Clero estavam voltados para a zona de transição zona sagrada/não sagrada, enquanto os fiés estavam voltados para a Capela-Mor da Igreja Matriz, podendo, assim, contemplar o Clero e Nossa Senhora do Mourão.

Na designada Reitoria, existe uma capela onde podemos contemplar um Triângulo, que simboliza a Trindade Santíssima. Esta figura possui um olho no meio, significando Deus em três pessoas. É, portanto, o Coração de Jesus na sua forma mais antiga de se representar. Em baixo, está o Divino Cordeiro, ou Cordeiro de Deus, justamente por cima dos Sete Selos do Apocalipse.

Na zona de entrada da Igreja Matriz, encontra-se uma cadeira de madeira, que, no passado, pertencia ao Senhor Prior de São Marcos, chamado, também, de Reito ou de Cura. O termo “Cura” vem do “Curado”. A Lamarosa era um curado de Tentúgal.

Na Capela-Mor da Igreja Matriz, existem, junto aos pés de Santa Maria do Mourão, as figuras de São João Evangelista, à esquerda, e a figura de São José, à direita, esculturas que são da autoria do mestre João de Ruão.

O Coro desta igreja era palco, no passado, de grandes celebrações. Aqui, os corais cantavam, por conseguirem ter uma maior projeção da voz. Existe, ainda, um Órgão usado nessas celebrações.

Originalmente chamada de Senhora do Pilar, o nome Santa Maria do Mourão ficou a dever-se a um guerreiro malvado muçulmano, que lutava contra os cristãos. Por forma a os Tentugalenses protegerem-se contra este guerreiro, a célebre frase foi proferida “Livrai-nos do Mourão, Santa Maria”. A partir daí, esse nome passou a vigorar até aos dias de hoje.

Autor: José Craveiro
Texto produzido por João Soares.

Referências Bibliográficas.

Castro, P. (2016). Igreja Matriz de Tentúgal. Disponível em: https://www.visitarportugal.pt/coimbra/montemor-velho/tentugal/igreja-matriz

Município de Montemor-o-Velho (s/d). Igreja de Santa Maria do Mourão. Disponível em: https://www.cm-montemorvelho.pt/index.php/municipio/comunicacao/item/365-igreja-de-santa-maria-do-mourao

Oliveira, C. (s/d). Igreja matriz da Assunção. Disponível em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74008/

Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (2001-2016). Igreja Paroquial de Tentúgal / Igreja de Santa Maria de Mourão / Igreja de Nossa Senhora da Assunção. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2785

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