História de Joaquina Pará

Joaquina Varela, ou Taborda, foi uma das últimas educandas do convento, que veio a tornar-se a célebre Joaquina do Pará. Foi para o convento, porque teimava em casar com o José Pará, um homem rude aos olhos de toda a gente. Este tinha ido para o Brasil muito novo, juntou uma pequena fortuna e regressou à sua terra. Por ser tão rude, chamavam-no de “o pai dos cavalos”.

A Joaquina não desistia de casar com José Pará. Assim, pediu à prioresa, já com uma idade avançada, que lhe desse alguma liberdade. Na hora em que entrou no Convento, mandou recado, por uma velhota, para que o José Pará, quando ouvisse os sinos do convento, acenasse com um lenço vermelho, porque se ela estivesse na torre, ela responderia com um lenço branco.


Quando era preciso tocar os sinos para os ofícios, lá ia ela. Depois de tocar, acenava com seu lenço branco e, ao longe, um lenço vermelho esvoaçava, lentamente. Alguém foi dizer ao pai dela, que ela namorava na mesma com o Pará. O pai ficou muito admirado e mais atento, até que deu conta dessa linguagem dos lenços. Como tinha muito amor pela sua filha, deixou-a sair e casar à sua vontade. Joaquina foi feliz e, como não teve filhos, canalizava o seu amor, cozinhando para os fregueses da sua estalagem, como também para os pobres que nada tinham. O homem rude, o tal “pai dos cavalos”, se era mau, não parecia, pois ela dava de comer a quem queria e ele nunca o proibiu.

José Craveiro
Adaptado de Sílvia Carvalho, por João Soares

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