Convento de Nossa Senhora do Carmo

(Soares, 2020)

Outras designações: Convento de Nossa Senhora da Natividade, Convento das Madres do Carmo

Origem:

Monumento de interesse público, cuja construção foi dedicada a Nossa Senhora da Natividade. Viria a ser o terceiro dos quatro Conventos Carmelitas femininos existentes em Portugal (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, Direção-Geral do Património Cultural, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

A decisão de construir este monumento partiu da Confraria de São Pedro e São Domingos, que decidiu utilizar as suas instalações na edificação deste monumento, em 1551. Porém, só em 16 de julho de 1560, graças ao 2º Conde de Tentúgal, D. Francisco de Mello, este projeto de construção foi retomado (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

A esta figura, juntaram-se Afonso de Leão (licenciado e ouvidor da vila), João Rodrigues de Menezes, Diogo de Pereira de S. Payo, Gaspar de Barreto Faria e o seu irmão, fidalgo da Casa de Sua Majestade, Henrique de Barreto. Nesta data, ficaria comprovada a sua fundação por alvará de D. Sebastião e aprovação pontifícia (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

A Ermida de São Pedro e São Domingos, pertencente à Confraria com o mesmo nome, foi eleito o local para a fundação do Convento de Nossa Senhora do Carmo, cuja escritura foi feita em 25 de março de 1567 (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

A sua fundação teve o objetivo de albergar as filhas dos vassalos de D. Francisco de Melo. Este monumento viria a ser o terceiro dos quatro Conventos Carmelitas femininos existentes em Portugal, na época (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

Classificação: Imóvel de interesse público (segundo a portaria nº 581/2011, de 14 de junho de 2011).

Data de construção: Não existe unanimidade em torno da data de início de construção. No entanto, a data mais provável parece situar-se entre 1560 e 1565.

Data de extinção: Foi extinto em 1834, mas as freiras permaneceram aqui até à morte da última em 1898.

Estilo Arquitetónico:

O complexo conventual, posicionado transversalmente, apresenta a fachada orientada para sul, assim como sucede com os portais, o convento e o templo. Está assente por arquitrave, encimada por um nicho com a imagem da Nossa Senhora do Carmo e ladeada por dois pináculos.

O portal da portaria e o portal da igreja (transversal, conforme convém aos conventos femininos) possuem influências do estilo maneirista, sabendo-se que o último foi construído em 1633, conforme a data inscrita no seu lintel. Na Portaria, há a destacar a roda e a grade do parlatório, únicos contactos das freiras com o mundo exterior, bem como a capela do Senhor da Portaria. Já o púlpito data de 1632 e toda a igreja apresenta um silhar de azulejos de padrão do século XVII.

Interiormente, a igreja é formada por uma nave e por uma capela-mor, com o acesso em moldura de verga reta, sendo ladeada por duas colunas. A nave única é coberta por uma abóbada de caixotões lisos de cantaria, tal como a capela-mor, onde estes exibem relevos.

Uma outra campanha decorativa foi responsável pelo retábulo-mor, de características do estilo rococó e, muito possivelmente, de fabrico coimbrão, sendo que o teto apainelado do coro alto data de 1757. Conserva-se, ainda, nesse espaço, o cadeiral seiscentista com trinta cadeiras, que, posteriormente, foram ampliadas para 43. No interior do Convento, o teto da nave é coberto por abóbada de caixotões lisos de cantaria, tal como a capela-mor, onde estes exibem relevos.

História:

Em 1496, iniciou-se a construção do Hospital de São Pedro e São Domingos, sob a égide de uma Confraria administradora, com estatutos e regalias aprovados em 1457, que esteve na base da fundação do Convento de Nossa Senhora do Carmo (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

A Ermida de São Pedro e São Domingos, pertencente à Confraria com o mesmo nome, foi eleito o local para a fundação do Convento de Nossa Senhora do Carmo, cuja escritura foi feita em 25 de março de 1567, data a partir da qual dá-se o início das obras de construção deste monumento (DGPC, 2006).

As primeiras religiosas, que em breve viriam hospedar-se no Convento do Carmo, saíram do convento da Esperança de Beja, em 1571 tendo permanecido na casa de Gaspar Barreto até 8 de setembro de 1572, data em que entraram no Convento do Carmo, juntamente com três filhas de Gaspar Barreto e uma filha de Henrique Barreto (DGPC, 2006).

Ao longo dos anos, as obras do Convento do Carmo registariam várias interrupções, até que, entre 1584 e 1588, Thomé Velho (que trabalhou na Sé Velha e em Santa Cruz de Coimbra), aprendiz do mestre João de Ruão, passou a dirigir os trabalhos de reconstrução. As obras decorreriam, assim, até ao século XVII (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

A capela-mor, a parte mais antiga desse tempo, foi finalizada em 1616, tendo registado obras de reparação, a partir de 1630. Em 1632, foi a vez do púlpito ser consertado, a que se seguiram a portaria, os portais e a igreja, em 1633. Em 1666, foi a vez do comungatório ser reparado. Em 1693, a área que contemplava várias dependências domésticas ficaria finalizada Barreto (DGPC, 2006).

Em 1711, as obras de ampliação do Convento do Carmo possibilitaram a existência de um maior número de pessoas a habitar neste espaço, contabilizando-se 64 religiosas, em comparação com as trinta existentes inicialmente (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

As religiosas viveram sempre com grandes dificuldades, como é exemplo a situação em que se encontravam em 1816. Nessa altura, caíram os muros da cerca. Para que tal não bastasse, tinham de entregar todas as preciosidades de ouro e prata que ornavam a igreja para contribuição de guerra, e foram vítimas das pilhagens e roubos das tropas francesas durante as invasões. Em virtude destas dificuldades, as religiosas pediram ajuda à Duquesa do Cadaval, que as isentou do pagamento de alguns impostos e as beneficiou com algumas rendas (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

Em 1834, deu-se a extinção de mosteiros, conventos e igrejas, uma ação, inserida no âmbito da “Reforma geral eclesiástica”, que foi empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, e executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), ao abrigo do Decreto de 30 de maio de 1833. Os bens religiosos passam, a partir de aqui, a pertencer à tutela da Fazenda Nacional. O Mosteiro de Tentúgal conseguiu resistir ao decreto formulado em 1833. Porém, foi declarado como extinto, com a morte da última freira, em 1898 (DGPC, 2006).

Em 1885, a título de experiência, começou a funcionar uma escola apostólica, no Convento de Tentúgal, criando a necessidade de adaptação dos espaços às novas atividades. Esta iniciativa ocorre em virtude de um acordo celebrado entre o Governo e a Santa Sé, que permitiu a alguns conventos extintos destinarem os seus edifícios a obras pias e educação (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

Em 1912, todos os livros, que se encontravam na Biblioteca Nacional, foram transferidos para a Torre do Tombo. Com o evoluir do tempo, o convento registou alterações nas suas estruturas. Desta feita, os dormitórios deram lugar à construção de uma escola primária, sendo que as restantes estruturas foram adaptadas às necessidades da paróquia (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

Atualmente, da estrutura original (a casa conventual, a hospedaria e a cerca), apenas permanecem a igreja, a cerca, parte da portaria e algumas dependências. A estrutura mais antiga é a capela-mor do templo, datada de aproximadamente de 1616 (Arquivo da Universidade de Coimbra, s/d, Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011, Castro, 2016, DGPC, 2006, Jesus, 1999 & Município de Montemor-o-Velho, s/d).

Curiosidades:

A primeira missa rezada neste convento foi celebrada a 15 de maio de 1565 (Góis, 2006). Ao contrário de todos os conventos, o Convento de Nossa Senhora do Carmo não se articulava à volta dos claustros. A primeira pedra utilizada para a construção deste Convento foi carregada por quatro fidalgos, em 1565.

Referências Bibliográficas:

Arquivo da Universidade de Coimbra (s/d). Convento de Nossa Senhora do Carmo de Tentúgal. Disponível em: http://pesquisa.auc.uc.pt/details?id=111781

Arquivo Nacional Torre do Tombo (2011). CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE DE TENTÚGAL. Disponível em: https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1375734

Castro, P. (2016). Convento de Nossa Senhora do Carmo. Disponível em: https://www.visitarportugal.pt/coimbra/montemor-velho/tentugal/convento-nossa-senhora-carmo

Direção-Geral do Património Cultural (2006). Convento de Nossa Senhora do Carmo de Tentúgal ou Convento de Nossa Senhora da Natividade. Disponível em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/10779791

Jesus, F. (1999). Convento de Nossa Senhora da Natividade / Convento das Carmelitas. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5212

Município de Montemor-o-Velho (s/d). Convento de Nossa Senhora do Carmo. Disponível em: https://www.cm-montemorvelho.pt/index.php/component/k2/item/191-convento-de-nossa-senhora-do-carmo

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