Rua das Negratas

(Soares, 2020)

Na Rua das Negratas, havia mulheres morenas, quase todas da mesma família. Eram grandes mulheres de trabalho e cantadeiras. Uma delas gostava de cantar e, como tal, todos os domingos, vinha, ao largo do Rossio, gente para vê-la atuar. Ela, também, cantava na igreja, mas baixinho (J. Craveiro, comunicação pessoal, 22 de setembro de 2020).

Nesta quadra, faz-se menção do termo “lindas”. Na verdade, a beleza destas raparigas aplicava-se, tanto ao seu exterior, como ao seu interior (J. Craveiro, comunicação pessoal, 22 de setembro de 2020).

Havia, na altura, as designadas silveiras para proteger os terrenos agrícolas, bem como os portais, que eram pequenas cancelas, que tinham a finalidade de proteger os terrenos da entrada dos rebanhos de ovelhas (J. Craveiro, comunicação pessoal, 22 de setembro de 2020).

Como nenhuma das “negratas” casou, não havia portais para evitar que os rebanhos entrassem nos terrenos. Destroçada e revoltada, uma das raparigas exclamou:

Que raio! Que sorte a nossa! Nenhuma de nós se casou com um corno de um homem que fosse capaz de tapar um portal!

Nos cachorros das casas dessa rua, existiam vasos galegos. Uma rapariga, que estava à janela de uma dessas casas, deparou-se, um dia, com um rapaz que, ali, passava. Esse rapaz, espertalhão e malandro, “meteu-se” com ela, perguntando:

Oh menina, a menina não era capaz de me dar um cravo?

Ao que ela respondeu:

Dou, sim senhora. Porque não é pela falta de um cravo que há de ficar a besta por ferrar.

Note-se que os pregos, que seguravam as ferraduras, eram designados por cravos (J. Craveiro, comunicação pessoal, 22 de setembro de 2020).

Texto produzido por João Pedro Relvas Soares, baseado em José Craveiro.

Botão Voltar ao Topo